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Gun-E lança o EP “Corrosion Treatment” e entrega seu trabalho mais íntimo sobre amor e cicatrizes

Com seis faixas produzidas por Gson e features de BILLI, Dahyun e Pipuh, o rapper sul-coreano explora o desgaste dos relacionamentos e a beleza do que resta

Gun-E lança o EP “Corrosion Treatment” e entrega seu trabalho mais íntimo sobre amor e cicatrizes

Gun-E lançou nesta sexta-feira, 13 de março, o EP “Corrosion Treatment”. Em coreano, o título é “퇴색”, palavra que carrega dois sentidos: o desbotamento de uma cor ou luz, e o processo pelo qual algo envelhece, decai e vai perdendo sua forma até se tornar quase invisível. É esse arco que o projeto percorre em 17 minutos divididos em seis faixas, todas produzidas por Gson, que também assina as mixagens e masterizações.

Sonoricamente, o EP vive num espaço entre o rap melódico coreano e uma estética urbana com influências de R&B e lo-fi. A produção de Gson é contida e precisa, deixando espaço para a voz de Gun-E conduzir cada faixa sem precisar competir com o instrumental. O resultado é um trabalho que soa íntimo desde o primeiro segundo.

“I’m not perfect”, com BILLI, abre o EP no meio de uma confusão emocional bem reconhecível: gostar de alguém e não saber se pode, ou se deve. A letra não romantiza a hesitação, ela vive dentro dela. O beat é leve mas carregado de tensão, e a participação de BILLI adiciona uma camada que amplia o conflito sem resolvê-lo, porque o eu-lírico da música não quer resolver nada, só nomear o que dói. A música mostra claramente o estilo que o cantor está se desenvolvendo e já reconhecível em sua voz, é um R&B calmo e intimista.

A segunda faixa é “Badly in Love”, música de estreia da cantora Dahyun, que muda de atmosfera sem perder o fio emocional. A letra usa Tóquio como cenário, com a Torre de Tóquio ao fundo de uma promessa de amor feita com plena consciência de que não vai durar. Há algo de agridoce nessa entrega, e a voz de Dahyun traz um contraponto que equilibra o tom confessional de Gun-E. A faixa tem um instrumental calmo, mas ao mesmo tempo que dá vontade de andar por ai enquanto escuta. É uma música para pensar naquela pessoa que a gente gosta.

Já “Bout you”, a terceira faixa do EP, é a mais leve e animada das seis. A letra fala da simplicidade de estar com alguém e de como tudo fica mais interessante quando essa pessoa está por perto. Hong Kong aparece como cenário nessa faixa, e há uma sensação de movimento e liberdade que contrasta com a imobilidade emocional das faixas anteriores. Musicalmente, é mais aberta, com um flow mais solto e um instrumental que combina bem com esse estado de espírito.

“Sofa”, a faixa-título com Pipuh, é onde o EP encontra seu ponto de equilíbrio. A letra descreve um amor cotidiano e concreto, chá pela manhã, luz do sol pela janela, fotos penduradas pela casa. É uma faixa sobre a intimidade que não precisa ser grandiosa para ser real, e Pipuh traz uma energia que complementa Gun-E. A produção é a mais cuidadosa do projeto, com camadas que se abrem gradualmente. A faixa também é animada com uma melodia que me lembra as músicas antigas, no estilo anos 2000.

“Lovey Dovey” é a faixa mais crua do EP. A letra trata a separação como um estado, aquele momento em que a relação já terminou na prática mas a mente ainda não processou direito, sabe aquela sensação de que é algo que pode mudar a qualquer momento? Gun-E escreve sobre procurar alguém parecido com quem foi embora, sobre saber que não vai encontrar, e sobre ficar preso nessa contradição entre querer seguir em frente e não conseguir largar. O beat também segue a vibe de Sofa, com um estilo que lembra as músicas mais antigas. É animado com mais nuances de rap, mas também ao mesmo tempo, calmo e íntimo.

“Back in the Dark” fecha o EP e muda completamente de atmosfera. É a faixa mais pessoal do projeto, aquela em que Gun-E sai do amor romântico e entra no amor por música e pela própria jornada. A letra fala sobre o peso de carregar um passado difícil, sobre ter chegado perto do limite e ter encontrado na música um motivo para continuar. Há versos que mencionam fãs que pararam de se machucar por causa das suas músicas, e a decisão de voltar ao palco por eles. É um encerramento que transforma o EP inteiro retroativamente: o desbotamento do título não é só sobre relacionamentos que acabam, é sobre tudo que se perde e tudo que ainda fica. A música é um presente para os fãs!

O que chama atenção em “Corrosion Treatment” não é só o que Gun-E diz, mas como ele diz. Há uma entrega nas letras que vai além do que estamos acostumados, cada faixa soa como algo que ele precisava colocar para fora antes de qualquer outra coisa. Não há distância entre o artista e o eu-lírico das músicas, mesmo que nem todas sejam de experiências reais, e é exatamente essa ausência de filtro que torna o EP algo único e caloroso. Gun-E escreve sobre amor com a precisão de quem já esteve dentro de cada situação que descreve, e isso aparece nos detalhes das letras e na forma como ele conduz o flow sem precisar forçar emoção, porque ele faz as músicas ficarem emotivas de uma forma natural.

O projeto também marca uma expansão sonora clara. Gun-E abraça o R&B com mais confiança do que em trabalhos anteriores, deixando que a melodia respire junto com o rap, que entra mais em momentos de destaque das músicas. Essa escolha reforça o que o EP quer dizer: que vulnerabilidade tem textura, e que mostrar o lado verdadeiro para os fãs exige um som que suporte o peso disso.

Confira o EP agora mesmo:

Letras: (1) | Fotos: @itzyourboy_gune

Dani Almeida é jornalista (MTB 0095360/SP) e estudou Ciências Sociais na UNIFESP. Atua como editora no Portal Asia ON e na Tune Wav, é colunista no Portal IT Life e redatora.

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