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Unesp cria primeiro curso de graduação em língua e cultura chinesas da América Latina

Aprovado pelo Conselho Universitário, bacharelado terá aulas em Assis (SP) e possibilidade de dois anos de estudos na China, com duplo diploma

Unesp cria primeiro curso de graduação em língua e cultura chinesas da América Latina

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aprovou nesta terça-feira (10) a criação de um curso de graduação em língua e cultura chinesas, o primeiro do tipo na América Latina. A decisão do Conselho Universitário abre 40 vagas no período noturno, que serão oferecidas já no Vestibular de Meio de Ano 2026, com ingresso da primeira turma previsto para agosto, mês que coincide com o início do ano letivo chinês.

O bacharelado será sediado na Faculdade de Ciências e Letras (FCL) do câmpus de Assis e tem duração mínima de quatro anos. O principal diferencial é um modelo de formação compartilhada: nos dois primeiros anos, os estudantes cursam disciplinas com foco no aprendizado do mandarim no Brasil; nos dois anos finais, entre 15 e 20 alunos selecionados por proficiência e desempenho acadêmico poderão concluir a graduação na Universidade de Hubei, na China, obtendo duplo diploma com ênfase em relações comerciais internacionais.

Conselho Universitário da Unesp no dia 10 de fevereiro de 2026 (Crédito: Fabio Mazzitelli)

Quem optar por permanecer no Brasil durante todo o percurso se forma com ênfase em tradução.

O acordo de cooperação entre as duas instituições prevê que a Universidade de Hubei investirá US$ 300 mil por ano na implantação do curso, especialmente em melhorias de infraestrutura no câmpus de Assis. A parceria entre as universidades completará 18 anos em 2026. Do lado brasileiro, a Unesp planeja contratar cinco docentes e dois servidores técnico-administrativos nos próximos anos.

As 40 vagas não representam ampliação no total de vagas da universidade: foram remanejadas do curso de Letras de Assis, cuja oferta passou de 140 para 100 vagas para se adequar à demanda atual.

Diretora da FCL, Renata Udulutsch fala ao Conselho Universitário (Crédito: Fabio Mazzitelli)

“É o primeiro curso em que teremos uma graduação compartilhada: dois anos no Brasil, dois anos na China. É uma oportunidade fantástica para os nossos estudantes, de formação e de vivência sociocultural”, afirmou a reitora Maysa Furlan.

A criação do curso se insere na estratégia de internacionalização da Unesp, que em 2008 foi a primeira universidade pública brasileira a instalar uma unidade do Instituto Confúcio. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, com intercâmbio que movimentou cerca de US$ 171 bilhões em 2025.

Imagem: arte gráfica destaca criação de novo curso no câmpus de Assim (Crédito: Divulgação / FCL-Assis Unesp)

Para Luis Antonio Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Unesp, a iniciativa reflete uma necessidade geopolítica. “Cada vez se faz mais necessário que o Brasil diversifique as parcerias e consolide suas relações no chamado Sul Global para enfrentar os novos desafios que vão se colocando”, avaliou.

A proposta tramitou internamente por dois anos, de dezembro de 2023 a dezembro de 2025, e foi aprovada com ampla maioria no Conselho Universitário, com apenas cinco votos contrários e apoio dos 34 diretores de unidades da universidade.

Fonte e fotos: (1)

Dani Almeida é jornalista (MTB 0095360/SP) e estudou Ciências Sociais na UNIFESP. Atua como editora no Portal Asia ON e na Tune Wav, é colunista no Portal IT Life e redatora.

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